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sábado, 6 de agosto de 2011

1º ENCONTRO DOS AMIGOS DE SANTANA

Família do Paulinho e Lourdes Martins Bittencourt.

Família Sr. Benato Crescêncio

Seu Benato Crescêncio e seu Joaquim Venceslau

Dejair Flor, Tarcisio Pereira, Neca Rota, Aladir Pereira e Baiano


Aconteceu em 07/06/2009, em Santana, o 1º encontro dos Amigos de Santana, contando com a participação de amigos vinde de diversas região e do pais.


CÂMARA MUNICIPAL DE URUSSANGA-SC INSTITUI O DIA DOS AMIGOS DE SANTANA – 04 DE JUNHO.



O dia dos Amigos de Santana, 04 de junho, bairro pertencente ao município de Urussanga-SC, foi criado pela advogada, Fátima Maria José Boava, nascida em Santana, município de Urussanga-SC. A idéia partiu de uma reunião com os amigos que lá nasceram: Dejair Flor (Duja), Nilton Barbosa (Baiano), Ilse Fabro Barbosa, Dário Venceslau, Valentina Barbosa, Aladir Pereira, Tarciso Pereira, Paulinho Bitencourt, Lourdes Martins, Cida Crescêncio, Zé Bodinho, Elisa Mariot, Valmor de Bona Sartor, Elisiane Mariot de Bona Sartor.

Sabe-se que existe o dia internacional do amigo, mas nós queríamos uma data exclusivamente para nós, santanense, já que chegamos a conclusão de que o mundo inteiro tem raiz no carvão de Santana. Fizemos um ofício e encaminhamos ao vereador Omero de Bona, também nascido e criado em Santana, que através de um projeto à Câmara Municipal de Urussanga, requereu fosse instituído o DIA DOS AMIGOS DE SANTANA.

No nosso primeiro encontro em 2009, provamos que nada é impossível de se conquistar quando existe o amor, solidariedade, respeito pelas diferenças e a união entre as pessoas. Assim, entramos com este propósito de conseguir uma data exclusivamente para nós santanenses.

Após reunião na câmara de Urussanga, com o assessor João Libaneo, também nascido e criado em Santana, por unanimidade, foi voltada a data de 04 de junho, a partir do ano de 2011 para ser comemorado a data DOS AMIGOS DE SANTANA.

Em princípio, nosso objetivo e comemorarmos o encontro no domingo em que se comemora a festa do Sagrado Coração de Jesus, mas nada impedirá que esta data seja alterada. Sendo Santana um bairro pequeno não comportaria dois eventos próximo um do outro, assim pedimos que a data nos fosse concedida para o mês de junho que no calendário cristão, se comemora o mês do “Coração de Jesus”, que sempre e sempre será o protetor DOS AMIGOS DE SANTANA, independente de política e religião, ou seja, totalmente sem discriminação.

Lembramos que na data, DOS AMIGOS DE SANTANA (04 de junho) também poderá ser trocado presentes. Todavia, preferimos comemorar esta data com encontro de todos os que lá nasceram e passaram para podermos abraçar e declarar nossa amizade umas a outras. Pois o melhor presente é um abraço. Ele é tamanho único e ninguém vai se importar se o outro quiser devolvê-lo.

Amigos de Santana.



JOAQUIM VENCESLAU



Quando o senhor Joaquim Venceslau chegou à localidade de Santana, no ano de 1943, várias famílias de imigrantes italianos já trabalhavam na agricultura e vendiam o excedente da produção para comerciantes do Rio Maior.

Filho de agricultor e oriundo de Pedras Grandes, Joaquim tinha apenas 15 anos quando, no primeiro dia de maio daquele ano, tornou-se funcionário da Minerasil. Trabalhou por 26 anos e cinco meses embaixo da mina, se aposentou e continuou trabalhando por mais 11 anos como guarda e também na guarita da empresa mineradora. Casou, teve sete filhos e reside em Santana até hoje.

E sua história seria igual a de tantos outros mineiros, não fosse o fato de ter sido o protagonista de uma mudança social conquistada pelo seu espírito democrático e sua sabedoria.

Aos 84 anos de idade, ele contou à reportagem de Panorama SC que se sente feliz em ter feito muitos amigos durante sua vida, ter podido criar seus filhos com dignidade e ter sua mulher ao seu lado.

Suas duas frustrações são não ter podido frequentar a escola e não ter servido ao Exército Brasileiro. “O meu pai trabalhava na roça e eu tinha que ajudar. Às vezes eu chorava porque via os meninos passarem para ir à aula e eu tinha que ficar trabalhando. Meu pai era uma pessoa boa, me ensinou que a gente deve sempre pensar antes de falar para depois não se arrepender. Eu aprendi isso com ele. Por isso, sempre que fui a algum lugar que eu não gostava, eu não fazia tumulto. Pedia licença e me afastava. Nós éramos pobres e todos tinham que trabalhar, eu era o terceiro dos dez irmãos. Nunca pude ir para a escola, isso me deixa triste e eu sempre penso nisso” explicou seu Joaquim ao dizer que pensava em realizar o sonho de tornar-se um militar.

“Quando fiz 18 anos, o Exército chamou eu e mais uns seis aqui de Santana para se apresentar. Eu fiquei todo feliz. Mas a companhia disse que faltava mão-de-obra nas minas e fez um documento pedindo pro Exército dispensar a gente. Eles me deram um papel dizendo que nós iríamos servir o Exército trabalhando nas minas. Eu não sabia da importância deste papel e acabei perdendo. Hoje eu sei que, se eu tivesse guardado, poderia ter me aposentado como ex combatente. Eu acho muito lindo aqueles uniformes. Sempre sonhei vestir um, mas tambem não consegui fazer isso” afirmou o mineiro que não pode realizar seu sonho de vestir uma farda porque no ano de 1946 o mundo se recuperava do trauma da Segunda Guerra Mundial e o carvão mineral era de suma importância econômica.

(fonte: Panorama – Urussanga-SC, 15 de julho de 2011- Foto: Álbum dos Amigos de Santana)

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

ACIDENTE OCORRIDO NA MINA DE SANTANA EM 08 DE MAIO DE 1965, ESCRITO EM VERSOS POR UM AUTOR DESCONHECIDO

1 - Meus amigos desta terra,
Os meus versos vão rimar.
Cada um tem sua sina;
Para o trabalho passar.
Um dia a cabeça inclina.
Um triste adeus tem a dar.

2 - Vou escrever estes versos
Com a ajuda de Deus Menino.
De quando morrerão diversas.
Quando o sol estava a pino.
Todo o mundo em conversa.
Morto estava o seu Benino.

3 - Este fato aconteceu
No dia 08 de maio.
Todo mundo estremeceu
E muitos dando desmaio
Toda gente entristeceu
Com a morte de Raul Eleodorio.

4 - Ali todos estavam
De seus fogos aprontando,
Todos sorrindo falavam.
Dos almoços demorando,
Com grande alegria estavam,
O almoço esperando.

5 - Renê que já vinha embora
Com sua bolsa alçada.
Ia prá casa, em hora,
Deu-se aquela rajada.
Coitadinho! Sem demora!
Estava indo prá ultima morada.

6 - Estes coitados estavam
Só esperando a hora,
Prá fazer as refeições
Para depois ir embora.
Logo se deu a explosão.
Morreram todos na hora.

7 - Ainda falo em Renê,
Que 4 filhos deixou
Neste mundo a padecer.
Todo mundo lamentou
E que haveria de ser.
Dos pobres filhos que ficou.

8 - Manoel, um brasileiro
Há pouco tempo casado,
Com 25 anos de idade,
Sua morte foi traçada.
Morreu com toda saúde.
Deixou a mulher amada.

9- A menina que morreu
Tinha o nome de Solange;
Sem esperar deu adeus.
Foi morar da mãe bem longe.
A família entristeceu.
Com a morte de um anjo.

10 - Tudo isso aconteceram
Num sábado às 10 e meia.
Crianças e homens pereceram.
De Deus Todo Poderoso, a ceia.
Porque com fome• morreram
Sem ter mais sangue nas veias.

11 - Morreram homens e crianças
Na mais triste agonia.
Todos deixaram lembranças
Naquele mês de Maria.
Perderam as esperanças
De tudo naquele dia.

12 - É muito triste amigos
Ficar sem seu pai amado,
Mas Deus lhes deu destino.
Prá morrer estraçalhado.
Como Renê Patrício,
Que morreu todo quebrado.


13 - Arrancou o braço e quebrou a perna
Dos pobres trabalhadores.
Outros já sem cabeça,
Nenhum mais sofria dor.
Deixaram suas esposas,
Que tanto tinham amor.

14 – Encontrei uma menina
No local toda quebrada.
Na hora não conhecia
A criança esfarrapada.
Logo ví, que ela vivia,
Assim mesmo ensangüentada.

15 - Logo nervoso gritei
Com todos que ali estavam.
Minha gente! Eu achei,
Esta menina coitada,
Que esta em afligirdes,
Com esta grande rajada.

16 – Pegaram esta criança.
Toda quebrada estava.
Ainda com esperança,
Para o hospital levava,
Sentindo sempre a ausência.
Que quase os perturbavam.

17 - Agora vamos falar,
No violinista Benino,
Em outra terra foi mora,
Com Jesus Cristo, Menino,
Que lá também vai rezá.
Prá quem cumpre seu destino.

18 - Este coitado deixou.
Seus 7 filhos queridos
E sua mulher que ficou,
Chorando por seu marido.
Para todos perguntou,
Se estava muito ferido.

19 - Quando trouxeram o lençol,
Para os coitados cobrirem.
Em nenhum batia sol.
Bocas não tinham a sorrirem.
Tenho pena dos coitados,
Que logo iriam partir.

20 - Toda gente assustada...
O que foi que aconteceu?
Tenho pena, coitado.
O meu marido morreu,
Todo estraçalhado.
Cumprindo o destino seu.

21 - Estes pobres operários
Deram adeus a seus filhos.
Rezarão sempre o rosário,
Reunidos à família.
Confessou com o Vigário,
Para ter mais alegria.

22 - Todos estes operários
Nem suas roupas vestiram.
Como estavam em velórios,
Em cada caixão cobriram
Com um lindo pano branco.
Todos ali reuniram.

23 - Todos conhecem o amigo.
Manoel Isidoro Cardoso.
Ele não tinha inimigo.
Era menino caridoso.
Trazia sempre consigo.
O coração sempre bondoso.

24 - Este menino tinha
10 anos de idade.
Sempre do almoço, vinha
Com grande felicidade
E neste dia chegou morto,
Trazendo infelicidade.

25 - Naquela hora em diante
Todo mundo lamentava.
Pensavam não, ir embora.
Gritavam e também choravam.
Eu também ardentemente,
Chorando também estava.

26 - Dali mesmo meus amigos,
O enterro foi saindo.
Com 4 caixões amigos.
Um atrás do outro, indo.
Ali toda a gente unida
Rezavam também aos feridos.

27 - Ali mesmo alguém, de certo,
Pensavam e falavam assim:
- Lá vai nosso bom amigo,
Porque chegou o seu fim.
Não tinha nenhum inimigo,
Que falasse dele a mim.

28 – Como é triste mãezinhas
Perder seu filho amados,
Que antes faziam carinhos,
Agora trocou de morada.
Foi morar com Jesus, Menino,
Com os anjos acompanhados.

29 - Ainda olhe meus amigos,
Que coisa abismada,
Ainda há um pé perdido
E uma cabeça rachada.
Todo mundo esta comovido.
Por não achar a pedaçada.

30 - Quando fazia 3 dias,
Que os corpos eram enterrados,
Uma caixa de pedaços
Neste local foi achado.
Tinha pedaços de braços
E alguns pés espedaçados.

31 - Ali na hora ninguém
Conhecia seus maridos.
Logo chegou alguém dizendo,
Seu esposo não esta ferido
Deve se consolar com seu bem.
Não perdeu o seu marido.

32 - Com este fato não chorou,
Quem não teve coração.
Que muita gente matou,
Com a grande explosão.
Pois em Santana ficou
A triste recordação.

33 - Esta triste emoção
Toda gravada foi.
Foto batida em missão,
Ao Brasil hoje, foi.
Mais uma recordação,
Deste Brasil sem função.

34 – Muitas viúvas ficaram
Por este mundo a rolar.
Que seus esposos deixaram
Para com Deus ir morar.
Nem se quer a sua mãe e
Mulher pôde beijar.

35 – Deixaram seus filhos amados,
Chorando com sua partida.
E sua mulher adorada,
Sozinha ficou contida.
A chorar com a vida atada,
Por ficar muito sentida.

36 - Morreram alguns almoçeiros
E muitos feridos ficaram.
E aqueles brasileiros,
Que suas famílias deixaram,
No Brasil hospitaleiro,
Na história eles ficaram.

37 - Nossa Santana ficou,
Agora toda assombrada,
Porque agora deixou
Mulheres desamparadas.
Mas Deus aquele dia achou,
Que ocultasse a caminhada.

38 - Pois agora eles foram,
Prá longe de seus companheiros.
Muitas coisas eles fizeram,
Servindo o Brasil inteiro.
Na história eles ficaram.
Como grandes brasileiros.

39 - Mineiros de nossa terra
Tenham paz e alegria.
Que aqui meus versos encerram,
Pedindo paz e harmonia.
Sei que muitos vão para a guerra,
Porque sua vida valia.

40 - Mas te peço meu amigo,
Que nunca tenhas orgulho.
Fale com os inimigos,
Que isso não enche pandulho,
Levando sempre contigo,
Sinceridade a seu filho.

41 - Essas viúvas sozinhas,
Muitas vezes sofrem de paixão.
Tenho pena, coitadinhas.
Ficaram em aflição.
Ficarão com seus filhinhos.
Progredindo com a nação.

42 - Cada um tem sua sina,
Desde o tempo de Criança.
Em sua memória fica.
Sempre traz uma lembrança,
De quando era menino,
Renovando a esperança.

43 - Agora eles seguiram,
Num preto caixão levados.
Quatro amigos reunidos,
Prá Deus ser apresentados.
Lá no céu saberão
Que estavam emprestados.

44 - Nós agora em oração
Vamos sempre, implorando,
Pedindo a Deus proteção,
Aos que estão arrancando,
O precioso carvão,
E ao Brasil auxiliando.

45 - Por isso peço amigo,
Que sempre tome cuidado,
Porque o nosso Brasil.
Já vive todo assombrado.
Até o céu cor de anil,
Mostra estar desesperado.

46 - Aqui vou encerrando
A mais triste lição.
E me despeço chorando,
Ficando em solidão.
Para as viúvas deixando,
O meu aperto de mão.

47 - Vocês queridos amigos,
Adoram seus pais amados.
Lamentam pelos amigos,
Morrendo espedaçados.
Escondam-se dos perigos,
Recordando o passado.

48 - Junto sempre a vocês,
O autor Valmir esta,
Acalmando outra vez.
Qualquer pessoa a chorar,
Unindo de vez, em vez,
Implorando a rezar,
Morrendo 5 ou 6;
Deus no céu tem o lugar.


Autor desconhecido.