No dia quatro de junho, por vontade de Santanenses e por Lei Municipal,
comemora-se o DIA DO AMIGO DE SANTANA.
Parece-me ou me consta que nesta data, na mente de todo
Santanense, de nascimento ou de adoção, ressurgem lembranças, histórias, fatos,
ações e também muitas estórias
Ah! Estavam me esquecendo, tantas e quantas saudades.
Lembro-me, a minha primeira incursão à Santana, deu-se no ano
de 1952, quando na carroceria de um caminhão Ford, saímos da Vila de São
Marcos, em Criciúma, para uma verdadeira aventura. Fomos visitar o tio João
Urbano, irmão da minha saudosa genitora. Fixei na minha mente a Santana
horizontal, a sua "vila operária", o cinema, a sua rua principal e, a
tosca rede elétrica que fornecia "luz" a todas as casas.
Alguns pedaços das conversas dos adultos me marcaram e nunca
esqueci. Santana tinha energia elétrica nas casas, São Marcos, onde morávamos,
não tinha. Percebi que os "mineiros" tinham uma admiração especial ao
dono da Companhia, que fiquei sabendo, ser o “Velho Barbado”, João Gabriel Macari.
Meus tios falavam com alegria de ali residirem e trabalhar numa boa companhia.
Vejo a "invejinha" que nos tomou, quando orgulhosos mostraram o lindo
Cartão de Natal que haviam recebido do Patrão.
Bem, em 1958, eu interno do Seminário de São Ludgero; meu pai foi contratado, pelo Velho Barbado,
para ser o Capataz Geral da Mina de Santana. Eu só cheguei em dezembro daquele
ano, para passar uns trinta dias de férias.
Procurei de pronto fazer uma comparação com os dias de quando
lá estive, seis anos atrás. Não fiz uma comparação das coisas físicas, mas do
sentimento é da visão que me permearam nestas duas incursões que fiz à
localidade.
Como foi interessante descobrir como diferente é, ser
visitante e a sensação de ser morador!
Santana tinha uma agência do SESI, um mercado de secos e
molhados e um trabalho social executado por três Irmãs Beneditinas da Divina
Providência, irmã Egídia, Irmã Emanuelle e irmã Honorina, esta última como Supervisora e vinda da Itália.
Como era Seminarista, logo fiz uma grande amizade com elas,
até porque tinha carona todos os domingos para ir à Missa, na Matriz de
Urussanga. Construção arquitetônica que de pronto, elegi como uma das mais
belas Igrejas que já tinha visto.
Mas, que dizer hoje da Santana daqueles tempos, sessenta anos
atrás? Contar histórias e reverter para o real da estórias dos fatos e das
pessoas que lá encontrei e com as quais comecei a aprender conviver com uma
comunidade bem diversa da que vivi antes? Não, não fazer nesta hora um arremedo
da história, mas de novo, dizer das diferenças que ocorreram, agora sim,
fisicamente, da Santana nestas seis décadas.
Ah! O Mato Laje e seus sete ou dez mil hectares de mata de primeira
geração, cortado pelo Rio Lajeado, de águas límpidas e geladas; do Cinema onde
além dos filmes, não raras vezes apresentavam-se artistas nacionais; do
movimento de pessoas, mulheres, à frente do Escritório para pegar o famoso
"vale" com o qual faziam o rancho mensal, no SESI ou na venda do
Guerino; o sentimento de grandeza por ter o Cabo Aéreo, transportador do ouro
negro ali extraído para a caixa de embarque em Urussanga; o trabalho das
Freiras em cursos de culinária, bordados e costura; o clube de Jovens, com suas
ações, onde se criou um grupo teatral, que fez uma estréia brilhante, com a
sala super lotada; dos grupos de Terno de Reis e do Boi de Mamão; das festas
religiosas na pequena capela de madeira; das tardes gloriosas no Estádio Sérgio
Domingues, onde dificilmente visitante vencia o Minerasil; da mesa de
pingue-pongue, onde se jogava diariamente, mas o frenesi era nos domingos à
tarde, onde nos reuníamos para jogar, trocar conversas e somar ideias;
Santana era como se uma ilha fosse. A população ali fazia
movimentar o comércio haja vista as dificuldades de transporte e comunicação.
Os jovens não tinham como sair nos fins de semana o que fazia que os róis de
amigos fossem de amizades quase fraternas.
Assim, nestas linhas faço um ensaio não da história, mas do
sentimento de saudade e das perdas que o modernismo fez desaparecer nestas dez
décadas em que ali vivi, residindo e cuidando dos laços familiares e de amigos.
Amigos estes que na sua maioria, foram morar longe ou chamados para outra vida.
Toda e qualquer oportunidade que vou à Santana, as histórias de muitos deles,
fazem meu coração e minha alma sentirem o calor de suas amizades.
Aos santanenses um forte sentimento de saudades e à espera de
um grande abraço no dia do Encontro dos Amigos de Santana.
Por Juceli Antônio Francisco