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terça-feira, 5 de junho de 2018

SANTANA




Não sabemos ao certo quando tudo começou, mas quando voltamos lá sentimos um misto de saudade e de nostalgia.

Santana viveu a época do ouro, no tempo da Minerasil, Mineração Geral do Brasil, mas que foi sendo destruída, aos poucos, pela Companhia Carbonífera de Urussanga-CCU, hoje, Indústria Carbonífera Rio Deserto e pela Carbonífera Treviso S.A.

Os filhos dos mineiros partiam para outras cidades próximas ou saltavam para outros estados. Os pais, já contaminados pela poluição do carvão, se aposentavam e ficavam cuidando de suas pequenas plantações que faziam nos fundos das casas ou mudavam-se com a família para uma cidade em que podiam encontra trabalho para os filhos.  Uns chegavam a falecer muito  cedo em decorrência da pneumoconiose antracose: causada pelos minérios de carvão, que afeta as pessoas que inalam partículas de carbono, a partir do carvão ou grafite.  

Não havia televisão, tecnologia e não havia dinheiro, mas havia liberdade.  Quando surgiram as primeiras TVs em Santana, ah, que novidade!  Todos corriam para assistir na casa do vizinho mais próximo

Nas casas não havia grades, na havia cadeados, não havia chaves. Nas portas usavam-se as tramelas que ficavam abertas o dia todo.  Não se marcava horário para visitar os amigos. Chegava-se e pronto e sempre tinha mesa farta com quitutes preparados pela família para as visitas.

De uma forma simples e humilde, conseguíamos encontrar felicidade que nos fazia esquecer, nem que fossem por momentos, as dificuldades do dia a dia por que passávamos. Sim, no meio de todas aquelas dificuldades, não sabíamos, mas éramos felizes.

Para todos aqueles que viveram nesses tempos em Santana, a nossa homenagem.

DIA DO AMIGO DE SANTANA


No dia quatro de junho, por vontade de Santanenses e por Lei Municipal, comemora-se o DIA DO AMIGO DE SANTANA.

Parece-me ou me consta que nesta data, na mente de todo Santanense, de nascimento ou de adoção, ressurgem lembranças, histórias, fatos, ações e também muitas estórias 
Ah! Estavam me esquecendo, tantas e quantas saudades.

Lembro-me, a minha primeira incursão à Santana, deu-se no ano de 1952, quando na carroceria de um caminhão Ford, saímos da Vila de São Marcos, em Criciúma, para uma verdadeira aventura. Fomos visitar o tio João Urbano, irmão da minha saudosa genitora. Fixei na minha mente a Santana horizontal, a sua "vila operária", o cinema, a sua rua principal e, a tosca rede elétrica que fornecia "luz" a todas as casas.

Alguns pedaços das conversas dos adultos me marcaram e nunca esqueci. Santana tinha energia elétrica nas casas, São Marcos, onde morávamos, não tinha. Percebi que os "mineiros" tinham uma admiração especial ao dono da Companhia, que fiquei sabendo, ser o “Velho Barbado”, João Gabriel Macari. Meus tios falavam com alegria de ali residirem e trabalhar numa boa companhia. Vejo a "invejinha" que nos tomou, quando orgulhosos mostraram o lindo Cartão de Natal que haviam recebido do Patrão. 

Bem, em 1958, eu interno do Seminário de São Ludgero;  meu pai foi contratado, pelo Velho Barbado, para ser o Capataz Geral da Mina de Santana. Eu só cheguei em dezembro daquele ano, para passar uns trinta dias de férias.

Procurei de pronto fazer uma comparação com os dias de quando lá estive, seis anos atrás. Não fiz uma comparação das coisas físicas, mas do sentimento é da visão que me permearam nestas duas incursões que fiz à localidade.

Como foi interessante descobrir como diferente é, ser visitante e a sensação de ser morador!

Santana tinha uma agência do SESI, um mercado de secos e molhados e um trabalho social executado por três Irmãs Beneditinas da Divina Providência, irmã Egídia, Irmã Emanuelle e irmã Honorina,  esta última como Supervisora e vinda da Itália.

Como era Seminarista, logo fiz uma grande amizade com elas, até porque tinha carona todos os domingos para ir à Missa, na Matriz de Urussanga. Construção arquitetônica que de pronto, elegi como uma das mais belas Igrejas que já tinha visto.

Mas, que dizer hoje da Santana daqueles tempos, sessenta anos atrás? Contar histórias e reverter para o real da estórias dos fatos e das pessoas que lá encontrei e com as quais comecei a aprender conviver com uma comunidade bem diversa da que vivi antes? Não, não fazer nesta hora um arremedo da história, mas de novo, dizer das diferenças que ocorreram, agora sim, fisicamente, da Santana nestas seis décadas.

Ah! O Mato Laje e seus sete ou dez mil hectares de mata de primeira geração, cortado pelo Rio Lajeado, de águas límpidas e geladas; do Cinema onde além dos filmes, não raras vezes apresentavam-se artistas nacionais; do movimento de pessoas, mulheres, à frente do Escritório para pegar o famoso "vale" com o qual faziam o rancho mensal, no SESI ou na venda do Guerino; o sentimento de grandeza por ter o Cabo Aéreo, transportador do ouro negro ali extraído para a caixa de embarque em Urussanga; o trabalho das Freiras em cursos de culinária, bordados e costura; o clube de Jovens, com suas ações, onde se criou um grupo teatral, que fez uma estréia brilhante, com a sala super lotada; dos grupos de Terno de Reis e do Boi de Mamão; das festas religiosas na pequena capela de madeira; das tardes gloriosas no Estádio Sérgio Domingues, onde dificilmente visitante vencia o Minerasil; da mesa de pingue-pongue, onde se jogava diariamente, mas o frenesi era nos domingos à tarde, onde nos reuníamos para jogar, trocar conversas e somar ideias; 

Santana era como se uma ilha fosse. A população ali fazia movimentar o comércio haja vista as dificuldades de transporte e comunicação. Os jovens não tinham como sair nos fins de semana o que fazia que os róis de amigos fossem de amizades quase fraternas. 

Assim, nestas linhas faço um ensaio não da história, mas do sentimento de saudade e das perdas que o modernismo fez desaparecer nestas dez décadas em que ali vivi, residindo e cuidando dos laços familiares e de amigos. Amigos estes que na sua maioria, foram morar longe ou chamados para outra vida. Toda e qualquer oportunidade que vou à Santana, as histórias de muitos deles, fazem meu coração e minha alma sentirem o calor de suas amizades.

Aos santanenses um forte sentimento de saudades e à espera de um grande abraço no dia do Encontro dos Amigos de Santana.

Por Juceli Antônio Francisco

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

HISTÓRIA DO MINERASIL I - MINERASIL X COMERCIÁRIO.


Foi no ano de 1956, num jogo realizado em Santana, pelo campeonato da LARM (Liga Atlética da Região Mineira), confronto entre Minerasil Futebol Clube x Comerciário Esporte Clube (hoje, Criciúma), já passados dos 40 minutos e o Minerasil vencia por 4 x 3. Houve uma falta do visitante perto da grande área, na goleira  que fica para os fundos da Sede do Minerasil.




O Comerciário tinha um artilheiro muito bom, Cardoso, que deu um chutaço a gol, batendo na baliza esquerda e indo para a linha de fundo, ou seja, a bola bateu na trave, não entrando por falta dos 10 centímetros.

Encerrado o jogo, o Paulino Búrigo, membro da diretoria do Comerciário, foi até a trave e começou a medir passo a passo e, após, retornou para Criciúma, sem nada falar aos integrantes do Minerasil Futebol Clube.

À noite, várias pessoas reunidas na sede do Minerasil, comemorando a vitória, eis que surgem discussões sobre as passadas do Paulino Búrigo embaixo da trave, dando a entender que tinha algo errado.

Discute aqui, relatos ali e ninguém chegava a conclusão. Assim, por volta das 20h00, resolveram ir conferir as medidas da trave. Surpresa!  Realmente a trave estava com as medidas incorretas, ou seja, com a diferença de 10 centímetros a menor. O Paulino Búrigo tinha razão...

Então, ali mesmo, o pessoal de Santana (com a presença do seu Omero de Bona, membro da diretoria do  Minerasil  e que  trabalhava como topógrafo na Minerasil), organizou um mutirão, convocando marceneiros, carpinteiros que trocaram e colocaram a trave na medida correta, trabalhando até tarde da noite do domingo.

Pasmem! Na quarta-feira da mesma semana chegava a Santana uma comissão da Liga Atlética da Região Mineira - LARM para fazer uma fiscalização geral no estádio do Minerasil e encontraram a trave dentro das medidas que as regras do futebol exigiam.

Assim, o Minerasil não perdeu os pontos, ganhando de 4 x 3 para o Comerciário Esporte Clube, hoje, Criciúma.

Colaboração de Juceli Antônio Francisco e Omero de Bona para os Amigos de Santana.

Amigos de Santana.

sábado, 21 de outubro de 2017

LAZER EM SANTANA II – SOCIEDADE RECREATIVA 18 DE JULHO.


A Sociedade Recreativa 18 de Julho, foi construída, no início dos anos 50, pela família de Aléssio Liberato que, posteriormente, vendeu para  Joaquim Venceslau.  O surgimento desta sociedade recreativa deveu-se por uma situação inusitada em Santana. Havia a sede do Minerasil Futebol Clube, time dos mineiros de Santana, onde jogavam: brancos, amarelos, mestiços, pretos, morenos e até os branquelas, descendentes de raças mais brancas.  

Seu Joaquim Venceslau, à direita, acompanhado do seu Benato Crescêncio, à esquerda (ambos,in memoriam).

Operários da Mineração Geral do Brasil, todos contribuíam com Cr$ 10,00 ou Cr$ 20,00 cruzeiros, descontados em folha de pagamento dos mesmos. Contudo, quando eram promovidos bailes na Sede do Minerasil, as pessoas de pele preta ou morena, mesmo contribuindo, mensalmente, não podiam participar, ou seja, ficavam de fora. Por esta razão,  foi construída a Sociedade Recreativa 18 de Julho com duas pistas de danças, sendo uma para as pessoas de pele preta/morena e outra para as pessoas de pele branca.

Na época, surgiram movimentos em Santana para que a Sede do Minerasil fosse, de fato, a casa de diversão para todos os santanenses, o que, em seguida, veio a acontecer.  Hoje, sabemos que não existe raça senão a humana.

Para se tornar sócio da Sociedade Recreativa 18 de Julho, com entrada franca em todas as diversões,  tinha que assinar uma proposta de sócio, onde o associado pagava Cr$ 5,00 de jóia  e Cr$ 5,00 de mensalidade.

A tesouraria da Sociedade também entregava ao sócio contribuinte o comprovante de pagamento.

Este clube foi marcado pelos grandes bailes com os Vibrantes, de Santana, American Nighit, de Siderópolis, os Lideres, de Criciúma, conjuntos famosos, da época, que davam shows de luzes, principalmente a luz negra, onde os frequentadores vestiam-se de brancos para reluzir na luz.

Os Vibrantes, de Santana

Os Vibrantes, de Santana

Nos domingos à tarde tinha lotação completa para assistir os iniciantes programas da Jovem Guarda, campeonatos de bocha, pacau e sinuca que terminavam com uma grande soirée com os santanenses se divertindo em uma única pista todos juntos e misturados.

Ah, na outra pista, por volta de 1964, o seu Joaquim montou uma loja de calçados.  

No bar do clube se vendia um picolé e um sorvete supimpa.

E assim era nosso lazer em Santana...


Amigos de Santana

segunda-feira, 25 de abril de 2016

8º ENCONTRO DOS AMIGOS DE SANTANA-URUSSANGA-SC

PROGRAMA DO 8º ENCONTRO

DIA 05/06 – DOMINGO – 8° ENCONTRO DOS AMIGOS DE SANTANA.

08h30min – Encontro dos amigos de Santana, no trevo do Espilão (Sorveteria Pillon/SETEP).  

09h00min – Transladação com a imagem do Coração de Jesus, que saíra da residência de Zeoneide Pillon (ali no Trevo do Espilão), nos acompanhado, pela primeira vez, em carreata até Santana, onde iremos percorrer as ruas de Santana.

09h30min – Chegada ao pátio da Igreja, onde seremos recepcionados pela comunidade de Santana, com um café colonial, doado pela comunidade.

10h30min - Missa festiva, animada pelo coral Santa Bárbara, de Santana. A Liturgia sob a responsabilidade da família do Sr. João da Glória, que estarão vindo de Tubarão e Joinville para o encontro.

12h00min – Almoço festivo. Após, reviveremos as domingueiras de Santana, com “saudades da minha Terra”, ao som do Kiko.

Durante toda a festa haverá completo serviço de Bar, café com mistura, sorvete e cozinha.  Lembramos que o café com mistura será doado pela comunidade, como forma de gratidão por nossa presença.

Todos os evangélicos também estão convidados para este encontro. Tem espaços para todos. Sem qualquer tipo de discriminação. Aproveite esta oportunidade para abraçar e rever os amigos que lá deixamos...

IMPORTANTE: Quem for chegando do sul ou do norte, nos aguardem na entrada do trevo. Os amigos que vem se Santana para a transladação já podem ir fazendo filas em frente à casa da Zeoneide.  Este anos, pela primeira vez,  seremos guiado pelo Coração de Jesus, desde o Trevo do Espilão até Santana.

A comissão.


domingo, 31 de maio de 2015

DEJAIR SÉRGIO FLOR








O 7º encontro dos amigos de Santana acontecerá no dia 7  de junho de 2015 e, este ano, será dedicado, em especial, ao amigo Dejair Sérgio Flor, o Duja, que nos deixou em 26 de outubro de 2014. 

Duja foi um dos grandes incentivadores destes encontros.



A comissão.

7° ENCONTRO DOS AMIGOS DE SANTANA EM 07/06/2015

Vai acontecer em 07 de junho de 2015,  em Santana, município de Urussanga-SC, o 7º Encontro dos Amigos de Santana.






Programação

08h30min – Encontro dos amigos de Santana, no trevo do Espilão (Sorveteria Pillon/SETEP).  Após, 09h00min, carreatas até Santana, com surpresas pelos amigos.

09h30min – Chegada ao pátio da Igreja, onde seremos recepcionados pela comunidade de Santana, com um café colonial, doado pela comunidade.

10h30min - Missa Festiva, animada pelo Coral Reencontro, de Santana, do qual fazia parte Lucas Frasseto (família do seu Ivo Frasseto), de Santana. A Liturgia sob a responsabilidade da Família Barza/Martins.

12h00min – Almoço festivo. Após, reviveremos as domingueiras de Santana, com “saudades da minha Terra”, ao som de José Paulo Boava.

Durante toda a festa haverá completo serviço de Bar, café com mistura, sorvete e cozinha.  Lembramos que o café com mistura será doado pela comunidade, como forma de gratidão por nossa presença.

Todos os evangélicos também estão convidados para este encontro. Tem espaços para todos. Sem qualquer tipo de discriminação. Aproveite esta oportunidade para abraçar e rever os amigos que lá deixamos...

A comissão.