Powered By Blogger

Total de visualizações de página

terça-feira, 15 de maio de 2012

AS DOMINGUEIRAS DE SANTANA

Saudades das domingueiras em Santana.


Nos anos 40 e 50, nos tempos que se podia abrir todas as portas e janelas das casas sem medo de ladrão, os bailes aconteciam nas residências particulares dos moradores da vila operária de Santana nos domingo à tarde, chamada de domingueiras.

O morador escolhido para a domingueira oferecia sua sala de visita para o acontecimento, onde se reuniam todos os moradores da vila ao som de um violeiro, acompanhado de acordeom. Era o momento dos namoros e futuros casamentos.

As casas eram cuidadosamente limpas e arrumadas. O assoalho de madeira era lavado com palha de aço, os copos ficavam à disposição dos convidados.

Estas domingueiras iniciavam cedo e terminavam cedo, das 14h00min às 20h00min.  Se época de carnaval, ali mesmo aconteciam os carnavais e as festas do entrudo.

As domingueiras de Santana serão sempre revividas nos  encontros dos amigos de Santana.






segunda-feira, 14 de maio de 2012

AMIGOS PARA SEMPRE


Eu não tenho nada pra dizer. A música diz tudo...


Preparem o coração que 10/06/2012, está chegando para o 4º encontro dos amigos de Santana.


Queremos ver neste encontro: filhos, filhas, noras, genros, netas, netos, bisnetos, bisnetas, trinetos, trinetas, tataranetos, tataranetas, amigos que por lá passaram e que ajudaram a construir Santana e também os amigos dos amigos de Santana, todos juntos, neste encontro.












Vamos lá! Este ano com muitas surpresas. Além do tradicional churrasco servido ao meio dia, vamos  ter café colonial, grátis, o dia todo, doado pela comunidade de Santana.

terça-feira, 1 de maio de 2012

RITO DA COROAÇÃO DE NOSSA SENHORA PELAS CRIANÇAS, EM SANTANA


No mês de maio, em todas as comunidades católicas, são organizadas homenagens a Maria. São variadas as formas de tais manifestações e em Santana não era diferente.  Recordo-me que acontecia nos tempo das irmãs Beneditinas da Divina Providência. As coroações ocorriam no último dia do mês de maio, mês de Maria.


O ritual da coroação era realizado num grande altar paralelo, conforme foto abaixo, muito enfeitado com flores, papéis coloridos, véus e luzes. No centro do altar ficava a imagem de Maria e atrás dele eram colocadas as escadas onde ficavam as crianças vestidas de anjos para a coroação.

As coroações até hoje se assemelham com aquelas organizadas pelas Irmãs em Santana, muito embora existam variações nos cantos e rituais.

O ato da coroação era o último gesto do ritual. Antes dele Maria recebia o véu, o rosário e a palma nas mãos. A entrega destes símbolos era feita de forma solene e uma criança ia cantando as palavras da oferta (não lembro mais das palavras), enquanto os outros anjinhos cantavam os refrões já ensaiados e jogavam pétalas de rosas em Maria. A música da oferta intercalava a outras melodias. Por meio de aplausos e cantos toda a comunidade de Santana participava da coroação. Era fantástico participar disso tudo em Santana.

Recordo-me que, quase sempre, era a Terezinha Bittencourt quem cantava e coroava Maria. Algumas vezes a Ieda Motta e a Berta Scarsanella. Contudo, na maioria das vezes, era a Terezinha Bittencourt.  Dizem que tinha uma voz linda...

Após a saída das irmãs Beneditinas de Santana, quem ensaiava a criançada para participar deste ritual era a mãe da Cida Crescêncio e a dona Zelinda. Hoje, não sei informar se ainda acontece este ritual em Santana.

É difícil dizer qual criança não participou deste ritual, porque cada ano era um grupo diferente que participava. Sendo assim, não se pode determinar o nome exato dos participantes nesta foto.


O certo é que o mês de maio contempla a celebração de Nossa Senhora de Fátima (13 de maio), que por influência dos portugueses está presente em nosso povo e o mês de outubro a celebração de Nossa Senhora Aparecida (12 de outubro), padroeira do Brasil.

Maria é venerada como mãe e mulher. Sendo mãe de Deus, é assumida como mãe de todos os cristãos.



Como não me lembro das músicas cantadas naqueles rituais vou colocar Roberto Carlos para homenagear Maria, mãe de todos nós.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

O SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS


Existem momentos, em nossas vidas, que se retorna ao princípio de tudo e num percurso de saudades abre-se o coração como se fosse um álbum de retratos, vagarosamente, página por página, procurando na lembrança aquela que mais marcou nossas vidas.
Hoje, nas realidades das coisas, com os pés firmes no chão, volto à infância em Santana e numa atmosfera de paz, lembro que era comum em todos os lares católicos o quadro em moldura ovalada com imagem do Sagrado Coração de Jesus e do Sagrado Coração de Maria, como este abaixo.


Em algum lar o quadro tinha iluminação interna, quando ligado, apareciam pontos de luz por toda a estampa, dando vida e brilho as cores da imagem. Era fantástico ver aquilo tudo!
Esta devoção era muito forte em Santana que aos poucos foi caindo no esquecimento e são raras as famílias que ainda, hoje, possuem ou conservam este quadro do Sagrado Coração de Jesus e Coração de Maria em seus lares.
Talvez seja por isso que a bênção do Sagrado Coração de Jesus esteja tão ausente em certas famílias que se esqueceram da promessa feita por Jesus a Santa Margarida, em uma de suas aparições:
“A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de meu Sagrado Coração”.


O Coração de Jesus é o único que pode se aproximar de nós e de nossas famílias para nos conceder as bênçãos prometidas.

Eu assistia com hílare,  quando visitava meus amigos e via em seus lares, na sala de visitas, exposto o quadro do Sagrado Coração de Jesus e de Maria. Eu pensava: Ele está cuidando desta família, desta casa, dos negócios, das preocupações e apreensões, abençoando tudo o que fazia parte da vida desta família. Foi uma experiência maravilhosa e muito gratificante vivida em Santana.

Após tantos anos, vejo que as famílias, de hoje, deixaram de entronizar o Coração de Jesus em seus lares, coração este que tanto amou os homens e que continua a amá-los.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

JOVENS TARDES DE DOMINGO EM SANTANA


Ouvindo a música abaixo do rei da jovem guarda Roberto Carlos, me faz voltar e reviver as tardes de domingo em Santana. Recordo-me nostálgica os anos 60 e início de 70.  Tempos bons aqueles, em  que se podia sentir um “calorzinho” no coração, chamado romantismo, tudo era maravilhoso! 




Os amigos se reuniam em volta da vitrola do China e alguns LP, ou discos de vinil, como eram conhecidos na época e iam para o pátio da igreja em Santana para ouvirem e curtirem as músicas da Jovem Guarda. Ele tinha sempre os melhores  sucessos do momento.



A foto retrata muito bem os tempos maravilhosos vividos em Santana. A Gorete Dalponte e a Raquel, ambas segurando LP do Roberto Carlos para saírem bem na foto. Também nesta foto, temos: a Valdiria Machado, a Martinha, o Má Albino (da barraquinha do seu Adolfo), a Célia Urbano, a Raquel, a Tina, a Dete, a Arley de Bona, o Pé Curto, o Robson, o Duja, o Zinha, a Rita Dalponte, o Aldo Ronsoni, o Dirlei, o Di, a Joanilda, o Júlio (de Urussanga) que, posteriormente, casou com a Gorete Dalponte e bem do ladinho da igreja está o China.

Tenho saudades daquele tempo: dos amigos, da nossa turma do colégio, das brincadeiras dançantes, das festas juninas e americanas,  dos bailes no clube do seu Joaquim e na sede do Minerasil.  Hoje, percebo que não mais se curte músicas como nas décadas de 60/70. Assim, só nos resta recordar os sonhos encantados que ficaram nas dobras do tempo. 

Bons tempos aquele!

terça-feira, 27 de março de 2012

BATIZADO DAS BONECAS EM SANTANA


Brincar de batizar as bonecas era muito comum em Santana. Esta brincadeira, hoje, esquecida era bastante comum e divertidíssima! Até os meninos participavam, porque além dos comes e bebes um deles fazia o papel de padre. Lembro-me que por conta disso existem pessoas de Santana que ainda hoje se chamam de “compadre” e “comadre”.

Esse “faz de conta” era organizada pelas meninas mais velhas da turma, que planejavam tudo, desde os convites, lista de convidados, o que seria servido, o que a boneca iria vestir; as “madrinhas” e os “padrinhos”. Todas as amiguinhas batizavam suas respectivas bonecas. Era uma verdadeira festa, que fazíamos no quintal da casa da minha avó, sombreada por diversas árvores frutíferas e com a participação das minhas primas e mais as meninas da rua.

FOTO DE UM BATIZADO DE BONECAS. O MENINO ESTÁ VESTIDO DE PADRE

Nós usávamos a bacia do rosto que servia de pia batismal, sal, um pouco de óleo (para ungir), uma folha de papel para registrar o nome das bonecas, das mães, das madrinhas. Era uma brincadeira muito saudável e divertida. O padre (o menino) dizia algumas palavras para um pequeno “sermão”, querendo imitar o padre Agenor Neves Marques e... pronto, dizia o menino: estão todas as bonecas batizadas, terminou a brincadeira, todas já tem nome, “madrinha” e “padrinho”, agora já podem chamar-se de “compadre” e “comadre” e vamos para os comes. Os comes, também, eram feitos pelas meninas, vários docinhos, balas, bolos, biscoitos e limonadas.

Creio que seria maravilhoso re-ensinar a criança, menino e menina brincadeiras mais saudáveis como esta de batizar as bonecas. Para a criança, nada é tão divertido quanto chamar o outro de “compadre” e “comadre”, como fazíamos em Santana e com tantas brincadeiras ruins por aí, bom seria mostrar para as crianças de hoje as brincadeiras de outrora, pois uma infância sem brincadeiras perde um pouco do espírito!

sexta-feira, 23 de março de 2012

O LAZER EM SANTANA

O lazer em Santana girava em torno das festas de igreja, do futebol no campo do Minerasil futebol Clube, nos salões de bailes do seu Joaquim Venceslau e na Sede do Minerasil, do cinema, das festas de casamentos e das famosas domingueiras.
FESTAS DE IGREJA

 FESTAS DE IGREJA

Nós tínhamos apenas duas festas de igreja por ano, a do Sagrado Coração de Jesus, padroeiro do bairro, sempre no mês de junho de cada ano e de Santa Bárbara, padroeira dos mineiros, no mês de dezembro, já que o dia 04 de dezembro é comemorado o dia de Santa Bárbara.

Estas festas eram muito esperadas, pois era a oportunidade que tínhamos de ganhar roupas novas. Nestas festas toda a comunidade participava. Tinham as famosas novenas que antecipavam a festas.

COCA URBANO, DIOMAR MACHADO E NEUSA DE BONA

Durante as novenas os jovens que queriam arrumar namorada, ficavam observando os trajes das moças e imediatamente dirigiam-se ao serviço de alto-falante da igreja, pagavam um valorzinho e pediam para o Diomar Machado transmitir a mensagem, mais ou menos assim: “Um rapaz de calça preta e camisa xadrez, oferece à moça de vestido branco de organza, laço azul nos cabelos e sapatos preto, com muito amor e carinho, a música com Roberto Carlos: Eu te Amo, te amo, te amo. Seguidamente, a garota com as características acima, começava a procurar o autor da mensagem, quando os dois se encontravam começavam a namorar e terminava em casamento.

Os namoros aconteciam nos dias de missa, nas novenas da igreja, jogos de futebol, nas sessões de cinema e no salão de dança.

NO CAMPO DO MINERASIL

No cinema tinha sessão todos os dias, mas não era todos os pais que deixavam as filhas assistirem. A maioria das jovens só assistia a matinê de domingo.

A ELEGÂNCIA DOS HOMENS DE SANTANA

Os homens, além das mulheres, gostavam de andar bem arrumados. Durante a semana usavam roupas de trabalho para adentrar as minas, mas aos domingos e nos dias de festas todos se arrumavam muito bem. Gostavam de usar ternos em estilo europeu e sapatos de verniz com bico fino.  Era um hábito dos mineiros de Santana, inclusive tinha um senhor que passava toda segunda-feira pelas ruas para recolher os ternos, lavar, passar e devolvê-los até sexta-feira para ser usado em outra ocasião.

Os jogos do Minerasil também deixaram saudades, era sempre muito esperado porque vinha gente de toda a região e as moças aproveitavam para paquerar os moços que vinham de “fora”, Criciúma, Urussanga, Lauro-Muller, Orleans e outras localidades. Sempre tinham as mais espertinhas que fisgavam os mais bonitos.

Não dá para falar do Minerasil sem lembrar-se da dona Daura (esposa do seu Paraná) que não perdia um jogo, pois tinha seu filho Célio que jogava no Minerasil. Ela gostava muito de xingar o juiz... Ah! Se me lembro de dona Daura, quanta saudade!

Os bailes na sede do Minerasil não havia discriminação por ser uma associação, fundada por todos os mineiros e trabalhadores do carvão de Santana, sem cunho político ou partidário, independente da classe social, nacionalidade, sexo, raça, cor ou crença religiosa. Nestes bailes todos se misturavam e participavam, bem como das domingueiras que quase sempre aconteciam nas casas de moradias.
AS DOMINGUEIRAS

Já os bailes que aconteciam no clube do seu Joaquim Venceslau, ninguém podia se misturar. Havia dentro do clube duas pistas, divididas por uma cerca de sarrafos, sendo uma pista para as pessoas de pele branca  e outra para as pessoas de pele preta e morena, com um conjunto para ambos.  De um lado os brancos, de outro os pretos/morenos, sempre sobre os olhares vigilantes dos seguranças contratados pelo clube para colocar a ordem e o respeito no lugar, além dos pais ou irmão mais velho que acompanhavam as moças.

Assim, era o lazer em Santana, nas décadas de 50/60.